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Pandemia se alastra e contamina mais de 80 índios de quatro municípios do Piauí

A Covid-19 já foi detectada nos povos Warao (Teresina), os Gueguê do Sangue (Uruçuí), os Gamela (Bom Jesus) e os Tabajara (Piripiri).

17/07/2020 09h54
Por: Lucinaldo
Pandemia se alastra e contamina mais de 80 índios de quatro municípios do Piauí
Pesquisadores acompanham o avanço da Covid-19 nos povos indígenas no Piauí e denunciam a ausência de uma assistência mais eficaz do Ministério da Saúde nas comunidades locais. Uma indígena já morreu em decorrência da doença no estado. O Piauí está com um caso suspeito, 87 casos confirmados, sendo 78 do povo Warao. Dois indígenas já estão curados.  A Covid-19 já foi detectada nos povos Warao (Teresina), os Gueguê do Sangue (Uruçuí), os Gamela (Bom Jesus) e os Tabajara (Piripiri).
A morte registrada é de uma indígena Warao. Ela estava internada no Hospital Getúlio Vargas e faleceu na última terça-feira (14).  Os pesquisadores da Universidade Federal do Piauí elaboram o "Boletim Covid-19 Povos Indígena no Piauí, que está na quarta edição.
O boletim é realizado pela professora Carmen Lúcia Silva Lima, coordenadora do Laboratório do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia e líder do Grupo de Pesquisa sobre Identidades Coletivas, Conhecimentos Tradicionais e Processos de Territorialização da Universidade Federal do Piauí, em parceria com as lideranças dos povos indígena localizados no Piauí.
Para monitorar a presença da doença, a professora dialoga com as lideranças dos povos indígenas Gamela, Guajajara – Aldeia Ukrair, Gueguê do Sangue, Kariri, Tabajara, Tabajara Ypy, Tabajara da Oiticica, Tabajara Tapuio e Warao.
Os boletins apontam que "a inexistência de uma política de saúde indígena no Piauí e a falta de atendimento pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), direito estabelecido em nossa Constituição Federal, torna os povos piauienses muito vulneráveis ao Coronavírus".
Atualmente, "com exceção dos Warao, que são monitorados pela Fundação Municipal de Saúde de Teresina, os demais povos indígenas não têm nos municípios onde vivem um atendimento diferenciado que considere a cultura e a identidade indígena", informa.
"São as lideranças indígenas que estão fornecendo as informações, na esperança de que o boletim possa sensibilizar as autoridades para a necessidade de uma política de saúde indígena, pois estão com muito medo de ficarem doentes e não terem o atendimento necessário”, explica a professora Carmen Lúcia.
O cacique Henrique Tabajara, de Lagoa de São Francisco e coordenador da APOINME – Microrregional Piauí, fala da importância do boletim e ressalta a ausência do Governo Federal.
“Não temos o acompanhamento do governo. Assim (com o boletim) nós podemos estar informando todos os casos, para que tenham conhecimento da nossa realidade, do que estamos vivendo. A APOINME está acompanhando com muita preocupação e vai tomar as providências, junto com outros órgãos que também têm demonstrado preocupação com a saúde dos indígenas do Piauí".
Dados
A UFPI informou que "os dados fornecidos pelo boletim estão sendo usados na produção do Boletim Povos Indígenas e Covid-19: Leste Nordeste, que está sendo produzido por pesquisadores de diversas universidades tais como a Universidade Federa do Piauí (UFPI), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade do Recôncavo Baiano (UFRB) e Universidade Estadual da Bahia (UEBA)".
Fonte: Cidade Verde
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